segunda-feira, 3 de maio de 2010

Maio

Quem te destruiu Maio
Que nasceste nesta meia-noite
E morreste neste mesmo instante?
Maio primeiro
Já não és nada
Morreu contigo o homem que não te sente
Não te reconhece!
Que vozes farás ouvir hoje
Senão aquelas que têm força para deturpar
Para te ignorar?
Vive em nós, Maio
Em todas as primaveras
Alegre e justo
No reconhecimento de quem te fez nobre e verdadeiro
Na luta de muita gente que quis vencer
Pela criação, pela força e pela coragem

Marinha Grande, 1 Maio 1977 (0 horas)
Madalena

Quem somos

            Alguém teve um dia a ousadia de classificar os humanos como seres superiores e, a partir desse dia, tem sido um progresso avassalador e um estrago imenso. É normal… Afinal, humano, é ser isso mesmo. Qualquer avanço pode ser demolidor e, um estrago pode desencadear grandes avanços.
             Reconhecendo a pequenez das formigas e o seu enorme poder de grupo, a verdade é que as gentes assumem uma condiçãozinha de formiga, num fenómeno de massas, cujo comportamento colectivo é deveras intrigante.
            Somos formigas quando vivemos num país formatado, como se fôssemos todos numa carreirinha… em que fazemos ginástica física para nos mantermos nessa formatação e ginástica mental para fugir dela. Isso é que custa!
            Somos quase levados a acreditar que um gato ou um golfinho podem ser realmente superiores e que o mundo avançaria mais humano se gerido pelos gatos.
           

Saudar Abril


            Pertencemos a uma equipa cercada de líderes, que nos (des)orientam para sentidos diferentes em simultâneo, cada um deles apregoando os mais puros argumentos para os melhores e mais honestos objectivos
            Perdeu-se, lá muito atrás, a democracia participativa… Aliás, dela tivemos apenas uma miragem! Estamos a pagar os custos de uma democracia representativa, que nos levou a confiar, aceitando ser representados por alguém (fosse qual fosse o nosso voto).
            Os custos dessa liberdade e dessa confiança pagam-se agora em juros bem altos, nos bancos (já que a liberdade existe para todos, para os bancos, também). Eles levaram a sério o hino “A internacional”, aplicaram-no às finanças e tomaram-nos… quer dizer, “comeram-nos” democraticamente, claro!
            Quem viveu o 25 de Abril ao vivo e a cores (como eu), corre o risco, hoje de sentir-se um pedacinho de nada. Contudo, sabe que precisa viver com os pés no chão, conhecer… criar… amar…


 
Saindo agora do carreirinho de formigas,
saúdo o melhor deste Abril

Hoje posso alcançar num abraço só
A harmonia e a paz
O sabor da liberdade… na chuva… na areia… na floresta
Apreciar fardas militares sem guerra
Um livro, tantas emoções
Sorrisos, os mais sinceros
Um qualquer jogo de dados entre amigos,
Uma boa conversa de esplanada
A mais simples e a mais radical das opiniões
Um ritmo, uma dança
Som e silêncio…
Um grito no alto da serra ou uma caminhada na noite de lua cheia
Um jardim pleno de aromas e cores
… e a música que os meus ouvidos levam ao coração e repassa o meu corpo…
                                                                                       
Madalena (Abril de 2010)