sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O atropelamento do gafanhoto

  Passeavam todos os dias nos ramos da tília do meu quintal e deliciavam-se com as tenras folhas. Eram dois gafanhotos grandes, simpáticos  de um cinzento brilhante e... vegetarianos assumidos, claro. 
    Estivesse frio ou calor, tinham sempre forma de se proteger. Ou debaixo da folha, ou por cima dela.
    Moravam no mesmo espaço que nós, quase.
    Viviam felizes, acho eu...
    Pelo comportamento, mais pareciam irmãos. Tinham as suas saídas, iam à sua vida, mas regressavam sempre.
    O mais discreto, pouco caminhava. O outro, facilmente impulsionava as pernas bem articuladas como molas e saltava ou então, abria aquelas largas e vistosas asas e voava em pequenos espaços, fazendo curtas distâncias.
    Para nós, a visita à tília era quase obrigatória... Nem que fosse para ver se ainda existiam folhas.
    Naquele dia, o gafanhoto estava no meio da estrada, com a cabeça estatelada no alcatrão da praceta. Não sei que descuido terá sido aquele!... Teria a estrada alguma coisa que lhe interessasse? Ou estaria a meio de um percurso até ao canavial em frente?
    Certamente aquele gato cor de caramelo que anda por aí em cima dos telhados, deve saber bem o que aconteceu!
    Agora, o irmão ali anda, sozinho... todos os dias, na sua rotina de comer folhas verdes, como se não tivesse havido nada. Naturalmente nem sabe o que aconteceu! Faz pela vida... e muito!

1 comentário:

Madalena disse...

E que me desculpem as pessoas que conhecem grandes desastres ecológicos, como as pragas de gafanhotos... é que aprendi a gostar deles desde miúda!!!