segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fomos apanhar laranjas



Num recanto de quintal, numa eira junto à casa, mora a mais redonda das laranjeiras. Cresceu com sorrisos e brincadeiras de duas gerações de crianças. Cresceu com os braços estendidos para o sol e para a janela do meu quarto… Ali permanece perfumada e verde, reflectindo e espalhando energia,
num convite a apanhar laranjas…

Nenhuma outra árvore do mesmo quintal saberá de tantas emoções… muitas festas, alguns cansaços, desilusões, conversas, pensamentos, e decisões geniais de idealista principiante, como eu,
mas com o bom senso de apanhar laranjas

Era dia de Páscoa,
subimos então, em traje de gala, com sapatos de salto apoiados nos troncos, braços estendidos… os verdes e os nossos…
Num pequeno desafio, uma cumplicidade, um convívio familiar…
e apanhámos laranjas

Se existe uma flor de eleição, será com certeza a flor de laranjeira,
Sem querer saber de tradições, ela é uma flor divina, áurea, poderosa e pura
enche-se de luz e cor, até ser uma espectacular laranja!

Poderosa no aroma e no sabor é doçura contagiante…
É fascínio da geometria, capaz de transformar-se em generosos gomos…
Ousada, fresca, gratificante e universal,
é apenas uma laranja.

E se assim me encanta uma laranjeira,
que direi da oliveira?
Madalena

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