terça-feira, 6 de abril de 2010

Sombras pálidas esbatidas

Em plena Serra de Sintra, ao cair da tarde, deslizando numa estradinha ladeada de pequenos arbustos, grandiosas árvores e enigmáticos troncos, seguimos procurando uma saída, talvez pela Lagoa Azul.

Vamos subindo, curva após curva, num emaranhado de sombras, escutando apenas o murmurar das folhagens ao leve vento que chega e parte…

Uma intensa, branca e enorme luz invade todo o espaço…

Aqui estamos nós, apenas nós, no meio da claridade ofuscante, de um opaco lindo, claro, luminoso e brilhante… e mais ninguém no coração da serra. Somos apenas quatro sombras esbatidas e pálidas que começam a confundir-se com todas as outras.


Achas que nos perdemos?

Não. Vamos devagar!

O que vês?

Apenas luz intensa, brilhante, branca.

Tens medo?

Não.

Quem está aí?

Vou ver… Alguma coisa a rodar…

Oh, anda cá, onde estás? Já não te vemos!


Começa a vislumbrar-se então uma imagem plena de claridade, envolta num imenso manto que oscila no denso espaço de luz. Ouve-se, no meio do nevoeiro, primeiro um pequeno e tímido grito, depois um assobio forte, longo e quase metálico, que ecoa por toda a serra.


Era um ciclista que descia… e era eu a brincar.


Oops… a Serra tem destas coisas!

(…e outras também, ouvimos dizer)!


Madalena

1 comentário:

Raquel disse...

E sabes uma coisa?
Eu estava lá:) E é tão bom poder partilhar momentos como este, com pessoas que gosto muito e com as quais me sinto muito bem.
Foi um fim de tarde bastante agradável.... e eu não tive medo :P