segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Aos meus amigos

   A todos os que comigo partilharam o dia-a-dia

na escola
no cafezito ou no lanchito
nas reuniões de trabalho
nas festas e nos dias mais cinzentos
… me encorajaram, riram ou choraram comigo
e que me ajudaram a levar as coisas na desportiva


   A todos os amigos e colegas que apreciam a minha companhia e me ajudam a descobrir quem sou e como sou…
nas mesas redondas (que também podem ser quadradas…) à conversa, quase sempre sobre escola.
no correio electrónico.
nas viagens (que afinal nasceram algures numa escola).
nos intensos debates (das artes à filosofia, da ciência à economia, nem o esoterismo escapa…)


   Esta é uma profissão de risco. Toda a gente sabe… Então qual a estratégia? Eis o segredo… finalmente!
…nos momentos difíceis,
quando tudo parece complicar-se,
o melhor é levar a coisa com carinho, seriedade, ética e profissionalismo
… mas sempre na desportiva.
Talvez até…comprar uns ténis novos!!!


   Aos que me ajudaram a aprender cada vez mais e me fizeram sentir bem comigo mesma.
a quem teve o gosto ou a paciência de me escutar… (ou não me escutar, quando isso fosse preferível).
e a quem me deu a mão quando eu mais precisei…
Obrigada


   Quantas vezes me ouviram dizer (num desabafo)
ao fim do dia de trabalho “missão comprida!”,
era a brincar…
ou então, não!
   Hoje podem
ouvir-me dizer “Missão Cumprida”… mesmo!


   Procurei sempre ser feliz na escola…
hoje afirmo com orgulho: “Gostei da Escola”.
Obrigada a todos por me acompanharem neste pequeno pedaço de tempo que tem tanto de intenso como de dignificante, um trabalho capaz de mexer com tantos e tão fortes sentimentos.
Obrigada pelo carinho que tantas vezes senti… da família, amigos de longe e de perto, colegas, alunos, auxiliares, pais…


                                                            Um abraço
                                                            Madalena  21 – 12 - 2009

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Trabalho é tratado assim... imaginem a Cultura!

  De repente apareceu uma Ministra do Trabalho. De onde veio? O que tem feito ela?! Este ministério existia mesmo e ninguém tinha reparado?!
  Afinal, existia alguém a tratar do Trabalho em Portugal!
  Mas há mais...
  O que tem feito o Ministério da Economia que, por não ser das finanças, devia estar vocacionado para fazer economias?!

  Pensava eu que o Ministério dos Negócios Estrangeiros tratava dos nossos negócios com o estrangeiro... Curiosamente, lá para fora não acontece nada... mas, cá dentro há muitos... da China!
   Sobre o Ministério da Agricultura, já se percebeu que não era nada e, para iludir um pouco mais, teve que incluir as Pescas (o que dá, nada vezes dois).

  O Ministério da Indústria e Tecnologia serve para quê? 

  Finalmente, o Ministério das Finanças... Este é o que faz todas as contas... mal feitas, claro!

  Por mim, fechavam-se os ministérios todos e ficava só um, que acumulava duas pastas, as Finanças  e os Negócios Ilícitos para fazer o que realmente é preciso: garantir que esses (bancos, droga, prostituição, armas e outros que aqui não cabem), mesmo teimosamente ilícitos, passariam a pagar em multas por ser o que são, ou em impostos como todos os outros.
  
  Madalena

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Iliteracia financeira, é?

A CGD (e não só) está agora a fazer uma campanha para ajudar as pessoas a saber poupar...
Que bicho lhes mordeu agora?
Chamam ao fenómeno "iliteracia financeira".
Nos monitores que estão no espaço dos clientes é feito um apelo curioso... ensinar a poupar. E cada mensagem é dirigida a grupos etários distintos. 
Ora cá está... depois das outras iliteracias, só nos faltava esta!!! Pelos vistos têm muita aprendizagem pela frente, os próprios bancos...
Não consigo esquecer que há bem pouco tempo, se eu quisesse amortizar o meu empréstimo, era muito penalizada...  e porquê?
Para comprar um carro ou outras máquinas, o vendedor não valorizava o "pronto pagamento" e dizia que, para eles, era preferível vender através de crédito bancário... e porquê?
Toda a sociedade se centrou no crédito, sendo que o mais importante não era ter dinheiro mas sim ter crédito. As universidades que formaram os gestores  dos anos 80, 90 e até agora, veicularam esse padrão de pensamento económico...
Agora, cá estamos!...
É um bocado estranho chamar iletrados aos clientes, chamem iletrados a si próprios, ora!!!
E, que a sua formação seja muito boa e intensiva para ver se ficam bem na fotografia. Que nós cá estamos com a cabeça entre as orelhas, que é como quem diz..."estamos f... feitos ao bife".
Madalena

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O atropelamento do gafanhoto

  Passeavam todos os dias nos ramos da tília do meu quintal e deliciavam-se com as tenras folhas. Eram dois gafanhotos grandes, simpáticos  de um cinzento brilhante e... vegetarianos assumidos, claro. 
    Estivesse frio ou calor, tinham sempre forma de se proteger. Ou debaixo da folha, ou por cima dela.
    Moravam no mesmo espaço que nós, quase.
    Viviam felizes, acho eu...
    Pelo comportamento, mais pareciam irmãos. Tinham as suas saídas, iam à sua vida, mas regressavam sempre.
    O mais discreto, pouco caminhava. O outro, facilmente impulsionava as pernas bem articuladas como molas e saltava ou então, abria aquelas largas e vistosas asas e voava em pequenos espaços, fazendo curtas distâncias.
    Para nós, a visita à tília era quase obrigatória... Nem que fosse para ver se ainda existiam folhas.
    Naquele dia, o gafanhoto estava no meio da estrada, com a cabeça estatelada no alcatrão da praceta. Não sei que descuido terá sido aquele!... Teria a estrada alguma coisa que lhe interessasse? Ou estaria a meio de um percurso até ao canavial em frente?
    Certamente aquele gato cor de caramelo que anda por aí em cima dos telhados, deve saber bem o que aconteceu!
    Agora, o irmão ali anda, sozinho... todos os dias, na sua rotina de comer folhas verdes, como se não tivesse havido nada. Naturalmente nem sabe o que aconteceu! Faz pela vida... e muito!

domingo, 31 de outubro de 2010

E se não fosse aprovado o orçamento?

De repente (nem sei como), dei por mim a querer que o orçamento fosse aprovado!!! Desconfiei logo.
Andava tudo (só jornalistas) a dizer "Ai meu deus, sem orçamento, o que vai ser de nós"
Bem, a encenação esteve no seu melhor! Melhor ainda do que uma campanha eleitoral.
Sugiro mesmo que em vez de campanhas a promover programas e partidos para as eleições, passem a apresentar porgramas para defender orçamento.
Não sei de há realmente motivo para campanhas eleitorais... Ou melhor, haverá motivo para eleições?...
Fantoches, marionetas, enfim políticos... tanto encenaram que conseguiram que o povo aplaudisse a aprovação do orçamento.Aplaudiu? Talvez não. Mas suspirou de alívio, acho eu!
Este rigor  no orçamento, com cortes e outros efeitos especiais, apenas serve para agradar aos mercados financeiros, exatamente para poderem continuar a emprestar ainda mais!!!
É a este fenómeno que estamos agarrados!!!
Até dá calafrios o fenómeno POLIS, em que se fazem coisas que já estavam feitas!!! Corta-se, arranca-se e substitui-se piso de alcatrão por paralelos, em todas as cidades, vilas e até aldeias... E não é a fazer coisa nova!!! É só trocar um piso por outro... assim, como quem muda de camisa... Isso é que custa!
Qual vai ser a próxima moda?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Um elogio à Câmara de Sintra

                                                 A:
                                       Câmara de Sintra;
                                       Divisão de Educação e
                                       Dr. Marco Almeida


Confirmo a receção do convite que me dirigiu para a cerimónia de homenagem e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelos docentes que se aposentam e que a Câmara Municipal de Sintra cumpre anualmente.

Agradeço o convite pessoal e, sem que signifique qualquer tipo de despedida, esta parece ser uma boa oportunidade de me dirigir ao Pelouro da Educação, como merece.

Acredite que foi um privilégio ter lecionado em Sintra. Durante todos estes anos em que aqui trabalhei, senti da Vossa parte a maior abertura na dedicação às causas da pedagogia, em iniciativas de excelência aos níveis literário, artístico, histórico e na valorização multicultural das escolas do Concelho.

A Divisão da Educação sempre me fez sentir “puxada para a frente”. Foi uma aliada constante, um parceiro subtil (que nos compreende porque está mais perto de nós), um promotor de ações interessantes. Com efeito, essas ações traduzidas no contexto de sala de aula como Projeto, Ideia ou Argumento, tiveram o poder de centrar os alunos em interesses comuns e fazer “brilhar” o trabalho do dia-a-dia, com impacto positivo na gestão dos afectos.

Continuo a acreditar que qualquer projeto de turma ou de escola ficará muito mais rico se combinar, inserir, articular e até recriar as Vossas melhores propostas.

Hoje posso afirmar “ foi um prazer trabalhar convosco”.
Obrigada.

Não podendo estar presente no próximo dia 22, sinto-me homenageada do mesmo modo.

Uma saudação especial com votos de um excelente ano letivo.
Ao vosso dispor
Madalena Neves (03-09-2010)

terça-feira, 8 de junho de 2010

O país funcionaria melhor sem ministérios

Estive a pensar que o país funcionaria melhor sem ministros...
Na educação, tudo "no terreno" acontece melhor sem ministra do que com ela... Apesar do que se diz, a escola parece ser o sítio onde se privilegiam valores como ser honesto, partilhar, perdoar...
Na saúde, ainda bem que "no terreno", haja o que houver, funciona o mais importante: tratam-se doentes.
Na segurança social, qual é o problema? Tudo parece funcionar mas nunca sabemos o quê...
Nas polícias, a vontade de combater o crime no "terreno" é real, procurando mesmo atingir o grande crime.
A pesca, a agricultura, a indústria a pecuária e as minas vão produzindo conforme podem e, muito ao sabor do seu próprio empenho e determinação.

Conclui-se então que, provavelmente, só precisamos de um primeiro ministro para ter como referência e dar a cara “e o corpo” ao manifesto e um ministro das finanças que pode ser também da economia, do turismo, da indústria, dos sindicatos e dos juízes, da tecnologia, da ciência, da cultura, das tropas e de tudo o resto... porque afinal tudo isto, em gestão moderna significa uma coisa só… finanças.

A missão de um ministro assim, consistiria em fazer as contas bem feitinhas sobre economia doméstica, não virtual. Se, mesmo sem ministérios, ele tivesse dificuldade de fazer as contas, não venderia, mas alugaria todos os edifícios excelentemente localizados, aos privados ou aos estrangeiros… Isso é que era ver as contas a correr bem!!!

A justiça (que perdoa mais o pecador do que todas as igrejas juntas e ainda dá prémios), teria que anexar os bispos aos juízes, cuja reutilização comum constaria de uma das medidas seguintes: ou tratavam de pôr ordem nisto com milagres públicos, ou iam todos ajudar a BP a extinguir o crude no poço do México.

Para obter ainda melhores resultados nas suas contas, o ministro assumiria a missão de fazer evaporar o dígito das centenas, no número de deputados da Assembleia da República… até chegar ao razoável 25 que, mesmo sendo em menor número, continuariam a manifestar o bloqueio de pensamento inteligente do costume e a síndrome do encolhimento cerebral, continuando a degladiar-se inutilmente, convencidos da sua imensa e decisiva importância nos contornos geográficos, sociais e económicos do país.
Madalena (08/06/2010)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Maio

Quem te destruiu Maio
Que nasceste nesta meia-noite
E morreste neste mesmo instante?
Maio primeiro
Já não és nada
Morreu contigo o homem que não te sente
Não te reconhece!
Que vozes farás ouvir hoje
Senão aquelas que têm força para deturpar
Para te ignorar?
Vive em nós, Maio
Em todas as primaveras
Alegre e justo
No reconhecimento de quem te fez nobre e verdadeiro
Na luta de muita gente que quis vencer
Pela criação, pela força e pela coragem

Marinha Grande, 1 Maio 1977 (0 horas)
Madalena

Quem somos

            Alguém teve um dia a ousadia de classificar os humanos como seres superiores e, a partir desse dia, tem sido um progresso avassalador e um estrago imenso. É normal… Afinal, humano, é ser isso mesmo. Qualquer avanço pode ser demolidor e, um estrago pode desencadear grandes avanços.
             Reconhecendo a pequenez das formigas e o seu enorme poder de grupo, a verdade é que as gentes assumem uma condiçãozinha de formiga, num fenómeno de massas, cujo comportamento colectivo é deveras intrigante.
            Somos formigas quando vivemos num país formatado, como se fôssemos todos numa carreirinha… em que fazemos ginástica física para nos mantermos nessa formatação e ginástica mental para fugir dela. Isso é que custa!
            Somos quase levados a acreditar que um gato ou um golfinho podem ser realmente superiores e que o mundo avançaria mais humano se gerido pelos gatos.
           

Saudar Abril


            Pertencemos a uma equipa cercada de líderes, que nos (des)orientam para sentidos diferentes em simultâneo, cada um deles apregoando os mais puros argumentos para os melhores e mais honestos objectivos
            Perdeu-se, lá muito atrás, a democracia participativa… Aliás, dela tivemos apenas uma miragem! Estamos a pagar os custos de uma democracia representativa, que nos levou a confiar, aceitando ser representados por alguém (fosse qual fosse o nosso voto).
            Os custos dessa liberdade e dessa confiança pagam-se agora em juros bem altos, nos bancos (já que a liberdade existe para todos, para os bancos, também). Eles levaram a sério o hino “A internacional”, aplicaram-no às finanças e tomaram-nos… quer dizer, “comeram-nos” democraticamente, claro!
            Quem viveu o 25 de Abril ao vivo e a cores (como eu), corre o risco, hoje de sentir-se um pedacinho de nada. Contudo, sabe que precisa viver com os pés no chão, conhecer… criar… amar…


 
Saindo agora do carreirinho de formigas,
saúdo o melhor deste Abril

Hoje posso alcançar num abraço só
A harmonia e a paz
O sabor da liberdade… na chuva… na areia… na floresta
Apreciar fardas militares sem guerra
Um livro, tantas emoções
Sorrisos, os mais sinceros
Um qualquer jogo de dados entre amigos,
Uma boa conversa de esplanada
A mais simples e a mais radical das opiniões
Um ritmo, uma dança
Som e silêncio…
Um grito no alto da serra ou uma caminhada na noite de lua cheia
Um jardim pleno de aromas e cores
… e a música que os meus ouvidos levam ao coração e repassa o meu corpo…
                                                                                       
Madalena (Abril de 2010)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fomos apanhar laranjas



Num recanto de quintal, numa eira junto à casa, mora a mais redonda das laranjeiras. Cresceu com sorrisos e brincadeiras de duas gerações de crianças. Cresceu com os braços estendidos para o sol e para a janela do meu quarto… Ali permanece perfumada e verde, reflectindo e espalhando energia,
num convite a apanhar laranjas…

Nenhuma outra árvore do mesmo quintal saberá de tantas emoções… muitas festas, alguns cansaços, desilusões, conversas, pensamentos, e decisões geniais de idealista principiante, como eu,
mas com o bom senso de apanhar laranjas

Era dia de Páscoa,
subimos então, em traje de gala, com sapatos de salto apoiados nos troncos, braços estendidos… os verdes e os nossos…
Num pequeno desafio, uma cumplicidade, um convívio familiar…
e apanhámos laranjas

Se existe uma flor de eleição, será com certeza a flor de laranjeira,
Sem querer saber de tradições, ela é uma flor divina, áurea, poderosa e pura
enche-se de luz e cor, até ser uma espectacular laranja!

Poderosa no aroma e no sabor é doçura contagiante…
É fascínio da geometria, capaz de transformar-se em generosos gomos…
Ousada, fresca, gratificante e universal,
é apenas uma laranja.

E se assim me encanta uma laranjeira,
que direi da oliveira?
Madalena

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ler com a Cinderela

José era um adolescente normal, catorze anos, simpático, bem disposto e fascinado pela Cinderela.
Muitos anos de escola e nada de saber ler! Literalmente.
Nas aulas desenhava cinderelas lindas, elegantes, de vestidos muito coloridos e sempre compridos, tal qual a estória clássica que conhecemos. E assim eram todas as cinderelas, de corpo inteiro, ao tamanho da página, em todas as folhas de cada caderno, em todos os cadernos.
_ Tem uma fixação pela Cinderela (diziam os meus colegas)!
             Quando lhe perguntávamos o que queria ele aprender na escola, respondia “quero aprender a ler a Cinderela”.
Nesse ano, eu era docente de Educação Especial e fazia apoio individual. E fiz-me ao caminho…  Para este aluno tinha que ser um método global e, se um método de leitura tem que ser significativo e motivador, há-de haver o método-cinderela!!!  Foi o que pensei.
Fomos para a Biblioteca, peguei na versão da estória que me pareceu mais simples e vamos a isto! Inventei o método para ele e com ele.
À medida que eu lia, íamos fazendo o resumo: criávamos a frase eu escrevia, lia e ele repetia lendo e escrevendo. Depois outra frase, o mesmo procedimento… construindo a frase, ouvindo a leitura, repetindo e escrevendo… Terceira, quarta e por aí fora, de modo a que ele ouvisse ler, lesse e escrevesse cada frase nova e repetisse sempre as frases anteriores…
Foram precisas três ou quatro sessões para que compreendesse o mecanismo da leitura. Depois fomos às sílabas, e nem foi preciso ir às letras, que essas, ele já conhecia de há muito tempo.
Não se imagina a felicidade que vivia por, finalmente, sentir que sabia ler (a Cinderela, claro). Foi um trabalho fabuloso!
Depois desta, esgotámos todas as versões que havia na escola, incluindo “a gata borralheira”, que  descobriu ser a mesma.
_Pronto, agora já sabes ler tudo – disse-lhe.
Ele não acreditava. Dizia que só conseguia ler a Cinderela.
Ainda com alguma ajuda, leu “o gato das botas”, depois com cada vez mais autonomia e muita determinação veio”o alfaiate valente” “o senhor forte”, “o vizinho de cima”… sei lá!
Depressa se entusiasmou por temas como ambiente, saúde etc..  Foi magia!
Tornou-se o melhor cliente da nossa biblioteca e o leitor mais entusiasta que conheci até hoje. Era um gosto vê-lo, sempre de livro debaixo do braço, que nem punha na mala, para poder aproveitar todos os tempos livres.
Nunca mais o José falou da Cinderela.
Finalmente foi para o 2º ciclo… e mais não sei.
Madalena (2010)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sombras pálidas esbatidas

Em plena Serra de Sintra, ao cair da tarde, deslizando numa estradinha ladeada de pequenos arbustos, grandiosas árvores e enigmáticos troncos, seguimos procurando uma saída, talvez pela Lagoa Azul.

Vamos subindo, curva após curva, num emaranhado de sombras, escutando apenas o murmurar das folhagens ao leve vento que chega e parte…

Uma intensa, branca e enorme luz invade todo o espaço…

Aqui estamos nós, apenas nós, no meio da claridade ofuscante, de um opaco lindo, claro, luminoso e brilhante… e mais ninguém no coração da serra. Somos apenas quatro sombras esbatidas e pálidas que começam a confundir-se com todas as outras.


Achas que nos perdemos?

Não. Vamos devagar!

O que vês?

Apenas luz intensa, brilhante, branca.

Tens medo?

Não.

Quem está aí?

Vou ver… Alguma coisa a rodar…

Oh, anda cá, onde estás? Já não te vemos!


Começa a vislumbrar-se então uma imagem plena de claridade, envolta num imenso manto que oscila no denso espaço de luz. Ouve-se, no meio do nevoeiro, primeiro um pequeno e tímido grito, depois um assobio forte, longo e quase metálico, que ecoa por toda a serra.


Era um ciclista que descia… e era eu a brincar.


Oops… a Serra tem destas coisas!

(…e outras também, ouvimos dizer)!


Madalena

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Se existe Deus

Se existe Deus, está nas Plantas…

…e assim, posso dizer que adoro Deus.

Como é que as plantas nos completam tão perfeitamente e nós nem lhes ligamos.

Em cada momento das nossas vidas ganhamos e perdemos energia. Há situações em que claramente nos sentimos ganhar e, obviamente, se estivermos atentos, percebemos quando a estamos a perder.

Sem entrar em detalhes sobre a forma como se ganha ou perde energia nos lugares que frequentamos, acontece que nos locais de trabalho, em locais públicos, em família, na escola… ocorrem transferências de energia (ganhos e perdas).

Precisamos de energia saudável, precisamos de jardins… terra... beleza… harmonia… árvores!

Perguntamos por que motivo há jardins fechados? Por que razão ninguém passeia no Parque dos Poetas, por exemplo?

Que tal a valorização de verdadeiras zonas verdes (e não estamos a falar de relva)?

Seremos mais perfeitos se crescerem árvores nos espaços escolares?

Teremos mais sensibilidade para aprender Humanidade?

Viveremos o dia-a-dia com energia mais positiva?

De todos os seres, as Plantas parecem ser os que mais se aproximam daquilo que, convencionalmente, conhecemos por Deus. As Plantas respiram e alimentam-se respeitando os outros seres. Facilitam as suas vidas, servem de abrigo e, como nenhum outro, produzem o que é fundamental, precioso e comum a todos, o oxigénio. Não lutam nem fogem… Provavelmente até nos perdoam os abusos…

Elas ajudam a criar laços.

Parece fácil acreditar neste deus vegetal, vivo, poderoso e universal.

Madalena

quarta-feira, 31 de março de 2010

A ética era uma couve?

Apetece dizer que a ética era uma couve… veio uma ovelha e comeu-a.

Deparamo-nos com uma realidade em que a ética é assumida como um valor fundamental e, ao mesmo tempo, vemos crescendo comportamentos que nada têm a ver com isso. Os aspectos relacionais connosco próprios e com os outros, estão em mutação

Afinal estamos num contexto social em que precisamos de rir…

Pela nossa saúde, precisamos de rir!

No entanto, parece estar na moda rir dos outros mais do que rir com os outros.

Este parece ser o princípio do fenómeno “bullyng” : rir dos outros… muitas vezes, até ao limite da capacidade destes.

Os jovens que assim brincam são tão inconsequentes, que até dói. Estão felizes porque estão em grupo… Associam-se pela diversão, gozo, alegria, ilusão de felicidade e, sempre aparece o objecto de diversão. Quer dizer, há sempre “o desgraçado” que leva com tudo!!!

É um fenómeno de grupo. No entanto, o poder do grupo, para o bem e para o mal é transversal na sociedade.

Não, não foi na escola que o fenómeno se inventou.

A escola não é origem de todos os males nem de todos os bens. Ela apenas reflecte os modelos sociais… Todos! Vemos tantos adultos inconsequentes. Pior ainda, é estarmos geridos por inconsequentes!

Mas, pronto., deixamos essa análise para outra ocasião, porque agora o que nos interessa é que na escola como na vida, façamos como sugere Fernando Savater no livro Ética Para Um Jovem: Para ele e provavelmente para todos nós que procuramos ser felizes, “ ao contrário de outros seres()… nós humanos, podemos inventar e escolher em parte a nossa forma de vida. Podemos optar pelo que nos parece bom, quer dizer, conveniente para nós, frente ao que nos parece mau e inconveniente(…) Parece prudente estarmos bem atentos ao que fazemos e procurar adquirir um certo saber viver que nos permita acertar. Esse saber viver, ou arte de viver é aquilo a que se chama ética”.

Temos que começar a viver assim. O melhor é começarmos mais cedo… quanto mais novos melhor!

Seremos felizes mais tempo!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Geração The Wall

Cá temos a Geração Pink Floyd a (des)orientar o país e o mundo! Nem mais! Qual é o espanto!!! Sem pôr em causa a qualidade da música, era inevitável que um dia ia reinar, para o bem e para o mal, a geração THE WALL...
Foi a nossa geração de pais que cantou, gritou e aclamou a canção... e foi a nossa geração de pais que criou e educou os seus jovens.
Foram os primeiros que gritaram "não precisamos de educação" e "professores deixem os miúdos em paz".
Temos então uma quantidade de líderes The Wall (nessa altura garotos) que hoje faz de conta que é grande e (des)governa países de qualquer dimensão, desde Portugal até à América.
Nesta geração de pais The Wall, os professores têm que contar a verdade sobre as drogas com uma historinha de "Era uma Vez"... Arquitectos dedicam-se às mais diversas construções de "legos" espalhadas por aí... Juízes dedicam-se ao "mamã dá licença", antes que lhes caia alguém em cima... Os polícias mesmo que não gostem, jogam "às escondidas"... Os jornalistas vão-se safando ao "um dois três macaquinho do chinês" e os banqueiros levaram a sério o jogo do "monopólio" e por causa destes, tudo o resto acontece.
Agora, ela aí está!
Esta geração nova conseguiu o que a anterior apregoou.
E é com esta geração que estes miúdos de agora têm que aprender a viver. Não é tarefa fácil... mas também, nunca foi!
Não é de estranhar, portanto o ambiente que se vive na escola!!! Ela está à deriva como toda a sociedade!!!
Uma nova ordem será necessária. Temos que acreditar que será esta nova geração a criá-la.
É claro que será desencadeada com os professores! Só pode!
Porque a escola sempre cresce como um todo, como convém! E assim há-de ser.

Madalena