domingo, 31 de julho de 2011

Caminhos a pé... à praia da Samarra

Num percuso fora do habitual, fui à Praia da Samarra nos arredores de Sintra.
Um grupo saudável, uma paisagem de luxo  e um sol de primavera de se lhe tirar o chapéu (ou pôr)!
Não é todos os dias que se anda numa estrada romana! Esse foi mais um motivo para apreciar as coisas do ponto de vista do privilégio, pois toda esta zona rural de Sintra é especialmente bela.
Por falar em privilégio, estranhei a paisagem... Os muros de pedra solta que dividem os terrenos estão a ficar escondidos no mato que cresce por todo o lado.
Se estes muros são parte essencial da paisagem protegida, não parecem...
Há poucos anos, eram limpos porque os terrenos eram cultivados! Aliás, a criação destes muros deveu-se à necessidade de despedregar a terra para a trabalhar melhor, o que, por acaso resultou.
Era apenas agricultura... mas resultou em harmoniosos efeitos especiais.
Hoje, sem agricultura, ainda corremos o risco de nos puxarem as orelhas por não termos cuidado do património cultural... que são os muros bonitinhos. Ou então, "inventam" um projeto europeu (com fundos e tudo), só para limparmos as silvas.
Muito mais difícil é responder à pergunta "como podem manter-se vivos estes quintais?"
Não nos podemos esquecer que os jovens da terra tiveram que comprar apartamentos "na linha" pois não lhes era permitido construir nas suas terras... Em poucos anos já se vê o resultado...
Começamos a ter muitos destes dilemas pois, pelo que se conhece, a ideia de dar valor às pessoas não está na moda.

domingo, 10 de abril de 2011

Ora bolas, ponto quatro


Redonda bola de sabão
Leveza, cor e brilho no ar.
Dança instável e solta
num gesto de vento que a faz tremer.
E sem rumo procura elevar-se.
Nada onde se segurar, nada!
Minutos, segundos de oscilação e pronto... desfaz-se.

Aroma de pão
invenção suprema
de calor, força e sabor.
Abraçada por duas mãos num gesto só
é uma bola que se deixa reduzir pela vida
devagarinho, devagarinho.
Minutos, segundos de alimento e pronto...  transforma-se.

Apenas bola,
o melhor brinquedo do mundo.
Aquela que tão cedo ensina alegria e ágil movimento
e, de repente num gesto só, deixa-se rebolar
energicamente.
Minutos, segundos e pronto... um a zero.

Terra
montanhas e mares,
é uma bola segura num universo de céu.
Mãe de todos os seres que embala no seu colo de luz
perfeição maior de ar e água,
imensa mas tão pequena.
Minutos, dias, primaveras... um gesto só
e todo o tempo para a respeitar e amar.
                                                                   - Madalena -

segunda-feira, 14 de março de 2011

Filosofias de merceeiro

Presidente que se preze tinha que falar qualquer coisa de jeito e agir de acordo.

Fico sempre na expectativa de assistir de repente a qualquer coisa muito importante, prático e inédito, para a realidade do país.

As próprias televisões, à falta de melhor, andam atrás das coisas que ele diz, como se realmente fossem importantes; o presidente porque faz conversa de ocasião tipo "eu acho" e, as televisões, porque nos fazem acreditar que o que ele diz tem "realmente" valor.

Isto de fazer comentariozinhos de ocasião é o que todos nós fazemos, só que, com o conhecimento histórico de que não adianta de nada. Ora, a ele, fica-lhe muito mal!!!

O senhor Ricardo, por exemplo, dono de uma pequena mercearia, faz as mais perfeitas e realistas análises, para as quais aponta sempre soluções inesperadas, criativas e de vanguarda, tanto para o concelho, como para o país. A brincar eu chamava-lhe filosofia de merceeiro.

Certo é que os dois emitem opinião. A diferença é que um é chefe da nação, atadinho... que tem mantido o país atadinho à Europa, atadinho aos bancos (agora chamados mercados)! O outro é chefe da mercearia, muito atento aos intermediários e, por isso mesmo, conhecedor das especulações de mercados (em pequena escala).

O que eu espero do primeiro, e da assembleia com o mesmo apelido (republica) é um projeto de país, porque, presidente que é presidente, deve fazer justiça ao cargo e responsabilidade nacionais.
Se o segundo (da mercearia) não vai longe com os seus comentários, eu, muito menos!
E, enquanto nos lamentamos uns com os outros, lá teremos que continuar a escutar as patetices presidenciais do costume.

Pronto... é só mais um desabafo!
Madalena

quarta-feira, 9 de março de 2011

Simples e banal

Espreito o sol
e lavo meus olhos com luz da madrugada.
O verde pálido dos ramos embrulhados na névoa branca fresca e doce
parece esconder a sabedoria e a verdade.
Se dúvida houvesse,
força, ânimo, determinação
gastar-se iam no silêncio...
Assim, subo nas cores desta aurora que fazem o arco-iris,
balanço e danço.
Falo aos fios de luz
que sou simples e banal...
ligo-me, crio, acerto e prendo cada fio.
E em cada fio há musica
que ouço, canto e amo porque ela é Deus...
E sem me perder, contemplo uma floresta inteira na caminhada matinal.
                                                                                    Madalena

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Onde o queijo é azul

Então amigo Daniel... ainda vives em Marte?
(E foi assim que começou um diálogo raro).
Não se chama Marte, afinal.
Às duas horas da tarde, o caminho desenhado sobe na folha de papel, até sair dela... Tudo o que ali está, segue no caminho para fora da folha. E o Daniel também.
Do lado de cá, sozinha na folha de papel, fica apenas uma pessoa que recebe o Daniel, quando ele decide regressar.
Lá muito longe, onde o queijo é azul mas sabe tão bem... onde as mães deixam os meninos andar por todo o lado... onde os pés descolam do chão, o Daniel é feliz.
Ali ele encontra um tesouro, muitos tesouros. Tem com ele intrumentos de alta precisão com que observa um pequeno objeto às riscas. Não sabe se é rocha, metal ou qualquer fibra, mas tem a certeza que é um tesouro.
Traz consigo um radar cor de laranja que o vai ajudar a decidir se às 18:15h está pronto para regressar.
Sem qualquer sinal de pressa, puxa uma alavanca no automóvel que traz no bolso para se projetar na nova dimensão.
Assim sem padrão (ou criando o seu), vive feliz entre nós.
Madalena

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Xadrez na escola

   Eu gosto de xadrez e um dia resolvi levá-lo para a escola.
   É um jogo dinâmico, acessível a todos... os que jogam mais e os que jogam menos... os que são mais expeditos e os que são menos. De qualquer forma, é um jogo que ajuda a pensar, ensina a calcular ações e a medir consequências dos atos praticados.
   Curiosamente, alunos com 6 e 7 anos assumem-no de uma forma tranquila, identificam-se facilmente com o movimento de cada peça e jogam a sério. Inicialmente são muito rápidos a jogar, muito mais preocupados com o ataque, depois começam a criar a imagem mental de possíveis movimentos e mais tarde a equacionar estratégias.
   Em aulas tão ativas quanto enriquecedoras, mais difícil direi eu, é acompanhar uma turma inteira com doze ou treze tabuleiros ao mesmo tempo. Só mesmo com muito carinho e na desportiva.
   Dinamizar na escola a prática do xadrez, não sendo caro, constitui um serviço à cultura e à ciência, o que significa "pensar grande".
                                                       Madalena

A propósito de servir o país

   Um amigo da família, médico neurologista,  a  própósito de um acontecimento dramático da altura, disse num tom de desabafo:
   _ O povo está doente.
   Fiquei a pensar naquilo e dou comigo a constatar mais do que gostaria... principalmente porque quem guia os destinos desse povo e do país, também está doente. São os políticos que dizem e desdizem, cirandam de um lado para o outro, sem saber o que andam a fazer. Literalmente, andam "a anhar ".
   Estou certa de que um político é uma pessoa de bem, que se disponibiliza para servir os interesses de uma localidade, região, país... 
   Ser político é uma coisa nobre... Um político só pode ser disponível, verdadeiro e ético.
   Não consigo pensar de outro modo e, como eu, estão todas as pessoas que ainda vão votar.
  É uma constatação: o atual painel de políticos não está bem e, por isso, não será capaz de servir o país como deve ser. Então, fica-me esta dor de ver um povo imenso a escolher, a tentar adivinhar, qual dos pouco bons será o menos pior...
   Desta vez não voto, tal como sugere o Saramago na sua ficção "Ensaio sobre a Lucidez".
   Mas não desisto de acreditar em pessoas de bem com capacidade para nos guiar.
                                                                                                                 Madalena